Ambra Marques

infinitas impossibilidades

são múltiplas as faces que guardo na manga.escolha uma, enquanto ninguém eu visto.

não invisto nas imposições gregáriasque rasgam pálidas como papel,sem cor, sem céu

sequer o troféu ordinário que possuo,empalhado, ermo e infértilna estante do falo e do tempo –o dente virando a carnee eu, raposa de nove camadas,arisca, estrangeira e depravada,le feu follet dos ventos.

a máscara me fitasorrindo, faz morada.num vão da janela,da lenha, da palha

invadiu hiatosembebedou-se das paredes da casadepois vomitou-me calabouçossujando meus sapatos.

sou filha da água,oceanos matam a sede de mimalgumas vezes ao dia.

meus braços, madeiraeu, porta. toc-toc –vejo o ouro, vejo o sole vejo o nada

escancaro-mena fresta mais íntima,as faces do ventoespiando de voltada sala de estar.

do horizonte que soueu pego, teçoe o laço vermelhonum dedo mínimoe deixo sangrar

rubras correntezas de ouroouroboros

aqui agora acolá